quinta-feira, 30 de maio de 2013

Bom Jesus das Selvas - Ma


“A inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o Sol. Nenhum vento o atravessa, ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas. Assiste aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é o seu suplício”

Outro dia li num para-choque de caminhão “o tamanho da sua inveja é a força da minha vitória”. Me perguntei se isso realmente motivaria alguém, percebi que sim, muita gente aliás. Um invejoso alimenta o outro.
Percebi que pouco se fala sobre a inveja e vejo que ela está muito mais presente nas relações humanas do que gostamos de acreditar.
Costuma-se confundir muito a ideia de ciúme e inveja. E isso se deve talvez porque o ciúme envolve três pessoas, e sente-se ciúme por que alguém a quem se ama, ou a quem se está ligado, demonstra interesse ou afeição por outra pessoa. E isso é considerado normal e por isso o ciúme é mais tolerável e perdoável. Até judicialmente o ciúme tem atenuante nos crimes.
Mas com a inveja o quadro é diferente: ele envolve basicamente duas pessoas, e inveja-se o que a outra pessoa possui, ou suas características, capacidades, conquistas, qualidades pessoais.
A inveja envolve uma qualidade espoliadora ou pelo menos hostilidade para com as boas capacidades da outra pessoa, ainda que isso possa não ser reconhecido.
Se se destrói por ciúme, aparentemente há uma razão para tanto.
Mas na inveja a espoliação se faz por  ódio, e parece não haver nenhuma circunstância atenuante.
O conto da raposa e das uvas mostra o invejoso que não consegue a posse do objeto do outro e destrói com pensamentos, palavras e ações. O mito de Lúcifer, também.
Num conto de fadas clássico o ponto central da trama envolve a inveja: Branca de Neve e os sete anões.
A “rainha má” não consegue suportar a beleza, a jovialidade e a gentileza de sua enteada Branca de Neve. Então a faz ser expulsa de casa e depois transforma-se numa velha bruxa para enfeitiçá-la com uma maçã envenenada. É a forma mascarada da pessoa invejosa se aproximar de sua vítima para destrui-la.
A inveja parece estar ligada à voracidade, mas é diferente dela.
Na voracidade a pessoa quer obter algo, desconsiderando o custo para a pessoa de quem ela quer esse algo,  e reconhece que há algo de bom a ser obtido.
Mas a pessoa que é invejosa não está interessada em obter algo para si própria e usufruir isso, mas sim em tirar algo da outra pessoa, algo de que ela possa então tomar posse, de forma que se torne parte de si própria.
A pessoa invejosa é espoliadora. Seja literalmente, injuriando, danificando ou ferindo outra pessoa ou suas
posses. Ou psicologicamente ferindo os atributos e as conquistas de outra pessoa em sua própria mente, em seu pensamento, ou externamente, por meio de críticas, escárnio ou provocação.
Segundo o dicionário Aurélio a inveja é o “desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem, desejo violento de possuir o bem alheio”
A inveja está entre os sete pecados capitais e é por causa da inveja ou popularmente “olho gordo” e “mau-olhado” que surgiram os amuletos, frases, rezas e outros procedimentos mágicos.



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18 maneiras de identificar a inveja no dia-a-dia


Dedicado especialmente as minhas "amigas" Maria Cunha, Francisca Cardoso e aos dedos do judas que dão vidas a elas.